segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A janela


Despi  a janela  da sua veste de linho branco
manchada de caruncho e de humidade.
Nesse breve instante, a minha alma sentou-se e os olhos
penetraram:
mais um dia de outono a esvair-se no negro das
nuvens que anunciam a noite…
Ah,  os frios entram nos ossos, deixando-os
húmidos e carunchosos.
Miro a colina dos que descansam em paz e assisto:
À despedida de mais um dia, parte sem voltar,
um a menos  na parca e ignorante existência .   

domingo, 27 de outubro de 2013

Manifestação

Está a ficar mais séria, nos rostos observam-se o jugo imposto pelo governo. Os anciãos, abandonaram as mantas e de guarda-chuva em punho, vieram para a rua gritar. As palavras são fervorosas, fruto de uma raiva contida: “o povo unido jamais será vencido”. É a força da arraia-miúda em movimento.  

domingo, 6 de outubro de 2013

libelinha...



Nem vais acreditar! Vi voar uma libelinha azul…
Também uma borboleta preta, uma branca, uma amarela, outra de cores indefinidas.
A que mais me encanta é a libelinha, tem um voo rasante, provocador, como se dissesse:
- Olha-me, vê-me… acorda!
Sempre que estou entregue aos pensamentos mais negros; que me esqueço da natureza que me rodeia; que  me sinto presa pelas amarras invisíveis da vida, lá está ela a libelinha azul…

sábado, 27 de abril de 2013

não me apetece...



        Apetecer um verbo muito usado no vocabulário de um micaelense: apetece; não apetece...
Pois é, simplesmente nem quero, não é um não querer de agradar "a gregos e a troianos", é um constrangimento íntimo, uma repulsa vinda do coração: não me apetece... nem quero saber!
 Não estou doente, este é o meu estado de espírito  normal...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

brisa...



Parei a ouvir três passarocos pretos a cantarem. Não sei qual a sua espécie. Tu saberias de certeza! Cantavam, faziam sons diferentes como se comunicassem entre si, repetiam os três os mesmos sons. Entre música e pequenos barulhitos estava, eu, embasbacada, no meio da rua, a ouvir os passaritos. Quando vim a mim, recordei que já não tenho ninguém para fazer perguntas simples. Perdoa-me se não te vivi como devia, sinto que tinha muito mais para aprender, para te dar e para receber.
Já não tenho ninguém a quem perguntar: “ Que tempo vai fazer amanhã?”  
Eras tão desprendido de maus sentimentos. Nisso não sou como tu, só estava bem se conseguisse tirar-lhes...
Não deixes que me afaste do bom caminho, tenho demasiada força e se me der para seguir o atalho do ódio, dificilmente volto atrás. Ajuda-me a ser como foste: uma brisa suave …

domingo, 11 de novembro de 2012

Há Dias...


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

dias e mais dias...