Num jardim existiam muitos canteiros, mais ou menos, dispersos uns dos outros. Neles viviam muitas flores: Cravos, Tulipas, Begónias, Violetas, Orquídeas, Rosas, entre outras. Num dos canteiros existia uma escola de tubérculos. As flores que os ensinavam vinham de muitos outros jardins, mas geralmente eram muito soberbas nos seus modos de ser, de estar e de falar.
Há muito que este corpo institucional estava corroído, bolorento, débil, frágil e a dar os últimos ais. Todos viviam à beira de um colapso nervoso, sentia-se uma tensão malévola no ar e, para cessar o stress, estavam maquinalmente a destapar as falhas das suas camaradas. Dessa comparsa fazia parte uma rosa vistosa, imperiosa, manhosa e de exígua inteligência. Vestia as suas pétalas com disposição, anafada da inteira riqueza que possuía, por isso permanecia acordada até altas horas da noite a fazer arranjinhos. A nossa amiga só demonstrava os seus espinhos aos mais frouxos. Na sua trajectória havia sempre uma vítima imolada. Só o desditoso jardineiro que estimava integramente as flores, não presumia que a rosácea tinha defeitos tão nocivos. No início do ano-lectivo, notou-se que fazia falta um docente e solicitou-se um a outro viveiro. Veio uma flor silvestre inexperiente em questões de malvadez. Era idealista e eloquente e as ideias formigavam-lhe no crânio, enquanto que o da rosa era vão mas matreiro. A rosa que nunca se deleitava com um livro era muito esmerada a plagiar, porém a sua vil candura fascinou a flor agreste.
Certo dia foi necessário resolver um problema na escola e foram convocadas todas as flores da associação. Durante o conselho, a rosa estéril de conhecimentos ficou na cercadura a espreitar... como uma aranha venenosa que anseia que alguma mosca lhe caia na teia. Quando a questionavam sobre qualquer assunto, a rosa alegava, em sua defesa, que estava com pressa ou que tinha dores na cachimónia. A flor silvestre expôs a sua opinião, consignou inteligentemente um tema para o trabalho. A rosa ficou estupefacta, esperou que se consumasse a reunião, atraiu a flor agreste à sua cova e disse- lhe:
- Tiveste um pensamento sabedor! Conta-me melhor a tua ideia. Somos as únicas que sabemos labutar, o resto do grupo são uns parasitas.
A Flor silvestre ficou encantada com a atenção da rosa e contou-lhe o que lhe fervilhava debaixo das pétalas.
Na segunda-feira, a rosa já tinha dado consistência... a um dos raios de luz da flor silvestre, e mostrou-o ao jardineiro como se fosse uma ideia sua. O jardineiro, inocentemente, sentiu-se alegre com tal labor.
Quando chegou a tontinha da flor silvestre, a rosa mostrou-lhe ardilosamente o resultado da concepção. A flor silvestre ficou estupidamente radiante!?
No decurso dos dias, a flor tontinha constatou que caíra numa cavilosa armadilha... via a rosa com as pétalas coloradas de um vermelho berrante a exibir-se como autora de todo o trabalho de grupo. Não poupou esforços para humilhar a criatura agreste e tratou-a como se fosse sua súbdita.
Quando a florinha se viu desmerecida e rebaixada sentiu-se revoltada. Então, a rosa chamou-a de ingrata por toda a elaboração que tinha executado, esquecendo-se a pirosa rosa que uma ideia não se furta, deriva do saber, das leituras, do exame de consciência!
Mais uma vez se comprova que quem não lê morre leigo, ou seja, iletrado! Os direitos de autora foram atribuídos à rosa, que assinou inconscientemente um tratado de inércia. O plágio é um crime, que na maioria dos casos não é punido legalmente.
Há muito que este corpo institucional estava corroído, bolorento, débil, frágil e a dar os últimos ais. Todos viviam à beira de um colapso nervoso, sentia-se uma tensão malévola no ar e, para cessar o stress, estavam maquinalmente a destapar as falhas das suas camaradas. Dessa comparsa fazia parte uma rosa vistosa, imperiosa, manhosa e de exígua inteligência. Vestia as suas pétalas com disposição, anafada da inteira riqueza que possuía, por isso permanecia acordada até altas horas da noite a fazer arranjinhos. A nossa amiga só demonstrava os seus espinhos aos mais frouxos. Na sua trajectória havia sempre uma vítima imolada. Só o desditoso jardineiro que estimava integramente as flores, não presumia que a rosácea tinha defeitos tão nocivos. No início do ano-lectivo, notou-se que fazia falta um docente e solicitou-se um a outro viveiro. Veio uma flor silvestre inexperiente em questões de malvadez. Era idealista e eloquente e as ideias formigavam-lhe no crânio, enquanto que o da rosa era vão mas matreiro. A rosa que nunca se deleitava com um livro era muito esmerada a plagiar, porém a sua vil candura fascinou a flor agreste.
Certo dia foi necessário resolver um problema na escola e foram convocadas todas as flores da associação. Durante o conselho, a rosa estéril de conhecimentos ficou na cercadura a espreitar... como uma aranha venenosa que anseia que alguma mosca lhe caia na teia. Quando a questionavam sobre qualquer assunto, a rosa alegava, em sua defesa, que estava com pressa ou que tinha dores na cachimónia. A flor silvestre expôs a sua opinião, consignou inteligentemente um tema para o trabalho. A rosa ficou estupefacta, esperou que se consumasse a reunião, atraiu a flor agreste à sua cova e disse- lhe:
- Tiveste um pensamento sabedor! Conta-me melhor a tua ideia. Somos as únicas que sabemos labutar, o resto do grupo são uns parasitas.
A Flor silvestre ficou encantada com a atenção da rosa e contou-lhe o que lhe fervilhava debaixo das pétalas.
Na segunda-feira, a rosa já tinha dado consistência... a um dos raios de luz da flor silvestre, e mostrou-o ao jardineiro como se fosse uma ideia sua. O jardineiro, inocentemente, sentiu-se alegre com tal labor.
Quando chegou a tontinha da flor silvestre, a rosa mostrou-lhe ardilosamente o resultado da concepção. A flor silvestre ficou estupidamente radiante!?
No decurso dos dias, a flor tontinha constatou que caíra numa cavilosa armadilha... via a rosa com as pétalas coloradas de um vermelho berrante a exibir-se como autora de todo o trabalho de grupo. Não poupou esforços para humilhar a criatura agreste e tratou-a como se fosse sua súbdita.
Quando a florinha se viu desmerecida e rebaixada sentiu-se revoltada. Então, a rosa chamou-a de ingrata por toda a elaboração que tinha executado, esquecendo-se a pirosa rosa que uma ideia não se furta, deriva do saber, das leituras, do exame de consciência!
Mais uma vez se comprova que quem não lê morre leigo, ou seja, iletrado! Os direitos de autora foram atribuídos à rosa, que assinou inconscientemente um tratado de inércia. O plágio é um crime, que na maioria dos casos não é punido legalmente.
Fotos:
1ª foto da Caldeira Velha em S. Miguel;
2ª foto do "Jardim", obra apresentada na Bienal de Vila Nova de Cerveira
3ª foto das flores de Paredes de Coura.
32 comentários:
Adorei o post,mtu boom!!
brigada pelo comentarios viiu?
;D
bjaaao!
Gostei muito da história, grandes verdades...
Bjs, fica bem.
aahaha adoro essas historinhas, viu!! muito boa!! um beijão Graça!!
Excelente história … que se aplica na perfeição ao mundo em que vivemos…
Bjs das nuvens
Olá, adorei a sua história, como todo o seu blogue, está simplesmente maravilhoso e tem também fotos espectaculares, parabéns. Ah!... Temos uma coisa em comum, o nome Mimi, só que você tem um gato e eu tenho uma gata, que aliás agora tem dois excelentes gatinhos bébés maravilhosos. Bjs e um bom recomeço ao trabalho.
Para enganar a saudade e combater a solidão escrevo, tiro fotografias e visito blogs bonitos e interessantes, se quizer também me pode visitar e assim está me ajudando a não me sentir tão só. Obrigada Dora
Boa tarde, Graça!
Gostei de ler "Escola de tubérculos". Grande verdade está aqui escrita, mas gosto de saber que nem todas as instituições são assim tão soberbas e tão mazinhas!
Força para mais um ano escolar na nossa instituição que tem muita gente boa e com quem gostamos de trabalhar todos os dias!
Fica bem!
Beijinho
Olá gostei muito do texto e acho que esta fábula aplica-se muito bem à sociedade de hoje, isto é, só conseguimos sobreviver com o mal dos outros.
Bjs e desejo-te um bom dia.
Olá querida graça, adorei o teu texto...Simplesmente fabúloso!...
Beijinhos de muito carinho,
Fernandinha
Magistral, minha amiga, mais que um texto, uma fábula das mais importantes. Aqui temos a inveja, o egoísmo e a prepotência retratados com estilo. Parabéns!
Gostaria que nos desculpasse, a conexão caiu e demoramo-nos em aparecer, isso me aflige muito.
Quanto às trouxas e malinhas das mulheres da obra de Vitalino, você fez uma observação que só agora pude constatar. Uma fina observação, por sinal, poucos devem ter percebido e até acredito que o Mestre ao concretizar sua Obra deve ter pensado nisso...É a tal história: "veja quem tem olhos para ver". E vendo com os olhos da alma...
Uma amiga e um blog do nosso coração, um transcorrer de dia muit proveitoso!Bjsssss
Você é um ANJO, Graça!
Agradeço a Deus por ter nos trazido ao mundo pessoas como você!
Um dia de Paz e muito Afeto!!!Bjsss
Há, mas que belo texto nos presenteia.Amei.
Vir por aqui é smpre um presente que me dou.
beijos, apareça por lá
Eheh também tenho saudades de fazer dessas histórinhas :P
Beijinho*
Olá Graça Mello, estive a ver o teu blog e gostei muito dessa tua história e de todo o blog, obrigada pela tua visita continuação de uma boa semana
Agradeço a tua passagem pelo meu blog. Gostei muito do teu, da tua escrita, do afecto de que está perpassada.
Deixo-te beijinhos e a promessa de voltar.
Bem hajas!
Obrigada pela visita!
Bela história.
beijooo.
lindo!!
lindas fotos que estive a vasculhar
aliás, um lugar completamente completo!!
beijão
Interessante história. A vida anda cheia de tipos assim como o da rosa estéril de conhecimentos, ou seja, oportunistas e invejosos.
Bem diz o ditato que a inveja é a arma dos incompetentes.
Beijo,
Inês
Lindo seu blog! Agradeço sua visita!
O mundo é cheio de rosas matreiras e também de idealistas flores agrestes...
Importa como nos comportamos no mundo... e como permitimos que se comportem os outros conosco...
Beijos, querida, voltarei sempre!
Lindo texto. Qual das flores és tu? A Rosa ou a Silvestre?
Tchau...
éra bom que a Rosa tivesse lido esta história...
Gostei do BLOG.
Olá! Obrigada pelo teu comentário deixado na minha casinha! Também gostei muito do teu blog e este post contem uma grande verdade...infelizmente acontece cada vez mais no mundo em que vivemos!!!
Volta sempre, beijinhos mil =)
Sou eu novamente...só para dizer que tens uma enorme capacidade de leitura...leste de uma forma muito transparente o meu barquito...
Mais Beijinhos =)
Pois é amiga infelizmente há cada vez mais pessoas a usarem indevidamente direitos de autor...eu que o diga pois já o fizeram inumeras vezes comigo...
Doce beijo
Gostei imenso do texto :D
Só me resta esperar mesmo que os arrependimentos do que ficou por fazer passem com o tempo...
Beijo*
Final de semana muito legal, Mello. Adoro teus bichinhos, tenho muitos em casa.
Vi o teu pedido no blogue do LC.
Para encontrares algumas fotos do que queres, basta ires ao google e pesquisar "maçarocas de milho" ou "milho rei".
Aproveitei para ler o teu post e achei o texto interessante.
Parabéns, escreves muito bem.
Bom fim de semana.
E lá vamos nós aproveitando as "fábulas" e tirando reflexivas lições de verdade.
Desde criança meu lugar preferido era a biblioteca onde eu viajava nos contos e fábulas.Quantas saudades...
Abraços e carinhos Graça.
E todo o cuidado é pouco minha amiga. Há por aí com cada rosa!
Beijinhos
Graça, querida!
Sem exageros, esse Poeta é de uma Força Poética e Perfeição em sua Vida e Arte. Essa arte das trovas foi ele quem me ensinou e, claro, não sou uma boa trovadora, conheço as minhas limitações, mas o Mario (sem acento,rs) é um ser humano fora de série, sua cultura, então, é vastíssima...Só conhecendo-o.
Amiga, também não deixo de louvar as suas múltiplas qualidades, entre elas, essa doçura e o carinho pelos animais. Curisco e Mimi se dão bem? Meu gatinho é muito bagunceiro...
Domingo super gostoso!!!Bjssss
Volte sempre, amiga!
Afinal, a nossa casa não tem portas...
Voltei para reler :) *
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