No ano de 2001, em Montalegre li o livro de Milan Kundera “ A Ignorância”, não estava preparada psicologicamente para o ler. Os livros têm o seu tempo, a sua hora, a sua circunstância, eu diria que são como certas pessoas que conhecemos na vida e num certo espaço e que fora daquele quadro perdem a magia. Voltando ao livro, este fala-nos da nostalgia do regresso a casa, todos sabemos que depois de uma longa ausência, é difícil voltar ao sítio onde um dia fomos felizes. Mas Milan Kundera para se fazer explicar dá-nos o exemplo de Ulisses que enfrentou tempestades, abandonou a deusa que lhe oferecia a juventude eterna para regressar à pequena
Ìtaca e para junto de Penélope. Não sentiria o herói uma certa nostalgia ao olhar para envelhecida Penélope depois de mil e uma aventuras. O autor continua nas suas divagações nostálgicas sobre o regresso de Ulisses. No entanto Milan Kundera esqueceu-se da nostalgia sentida por Penélope que reencontra um marido diferente marcado pelas dificuldades que encontrara durante dez anos de viagem e outros tantos a viver com uma deusa que o fizera sentir um Deus. Talvez Penélope reconhecesse que também perdera o tempo à espera de um Ulisses diferente: mais nostálgico, triste e talvez quem sabe fosse melhor ele ter ficado na longa viagem. Não sentiria Penélope um vazio por ter esperado tanto tempo pelo seu amado esquecendo-se de si e acabando por reconhecer que não tinha valido a pena, pois tudo tem um fim.


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