segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

rotina



Escrever por escrever não tenho fé de o fazer. Estou naqueles dias em que o corpo pesa, em que o espírito voa e o coração está preso ao desejo de alcançar algo que ele próprio não sabe o quê!? Será que alguém já inventou um nome para este estado de alma? Esta lazeira começa cedo, por volta das quatro da manhã, desperta-me do sono e fico olhando o espaço que existe entre mim e o sol. A noite. A penumbra dela, já fria. Um artifício do tempo para me dizer que, ultimamente, não tenho aprendido nada. É tudo tão igual: as formas de pensar, as roupinhas coçadas da imbecilidade de quem as usa, os olhares sombrios de cabeças vazias, as barrigas cheias de intrujices e remorsos. E eu calada, num mutismo bucólico, uma espécie de casaca que me livra dos sarilhos da sinceridade e de cabeça enfiada, não na terra mas, na rotina.