terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Quimera



Se eu fosse um lagarto abandonava as emoções como o réptil repudia a pele.

Se eu fosse um cão lambia as feridas.

Se eu fosse um papagaio repetia a palavra: Sorri, sorri, sorri…

Se eu fosse uma ave fugia da crueldade dos mais pequenos.

Se eu fosse um caranguejo andava para trás quando a conversa não me agradasse…

Se eu fosse a chuva lavava as minhas lembranças…

Se eu fosse invisível podia sair sem darem por mim.

Se eu fosse um pau batia no erro...

Se eu fosse um relâmpago assustava a cobardia…

Se eu fosse uma flor perfumava os meus dias.

Se eu fosse o sol iluminava as minhas sombras…

Se eu fosse um gato ia para casa jantar…

Se eu fosse...

2 comentários:

velhos tempos disse...

se fosses? Não penses naquilo que não és e sim naquilo que és. Uma pessoa muito especial que deixou muitas saudades.

Filomena e Carla

Saudades disse...

Para ti mulher inspiradora, as palavras de um poeta.

A Mulher Inspiradora

Mulher, não és só obra de Deus;
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.

Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.

Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.

Mulher, és meio mulher,
meio sonho.

Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
Tradução de Manuel Simões