
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus
braços,que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade, in 'O Corpo'
2 comentários:
Hoje que saíram os resultados duma classificação inclassificável, lembrei-me dos professores.
A m/mulher é professora no Colégio Ribadouro no Porto.
O colégio Rosário, diz que recusou 70 alunos. No Ribadouro foram 600 ou mais.
O que ficou em 1º lugar no Ranking, aqui no Porto, tem uma turma com 28 alunos.
Se alguém quiser lá meter o filho ... tem que ter mais de 16.50 nos anos anteriores.
Isto é mais uma PALHAÇADA do que se vive no nosso país.
O 1º classificado, com 28 alunos, meteu menos de meia dúzia em Medicina.
O Ribadouro, cerca de 90, entre 950 alunos.
Falo neste caso porque é o que conheço.
Mais uma vez, mandei um mail a tentar saber como são feitos os rankings.
Vou esperar a resposta que nos anos anteriores têm sido um chorrilho de disparates.
A maioria dos professores, para não dizer a totalidade, necessitam deste "trabalho" (feito ou não com vocação. Não é isto que está em análise).
É um trabalho que posso dizer, não tem paralelo.
Já perdi a conta aos anos que não tenho um fim de semana sem pensamentos no trabalho.
Não sou professor mas tenho que apoiar a m/mulher.
Também dou uma ajuda nos testes (que, diga-se, são dificílimos para qualquer um. É que se trata de química e escrever fórmulas químicas ... bem, nem digo mais).
Já chega de conversa.
Espero que não se aborreça com o paleio todo, mas como sofro na pele, tenho que defender a verdade e ... a verdade é que os professores, para além de não terem qualquer autoridade, são mal vistos pela sociedade.
Olhe,
Um bom fim de semana ... e que bons tempos (isto é mesmo chalacear) cheguem ao ensino.
São muitos e muitos anos ...
A saga das escolas privadas conheço só de nome. Sei, no entanto, que há crianças que ainda estão na barriga das mães e já estão matriculadas num colégio privado. Caro José Torres, os bons e maus professores encontramos em todo o lado. Num colégio privado estamos a ver o patrão por isso se trabalha bastante e sabemos que um dia temos o reconhecimento.No ensino público isso não acontece. Eu posso dar o litro, mas nunca recebo um agradecimento. Quando muito sou convencida e posta de parte, seriada em prol do bem-comum ou melhor dizendo da inércia comum. No ensino público eu faço para os outros brilharem, há uma corja de vive às custas do trabalho dos outros.
Os bons alunos no público são medíocres comparando com os alunos de há dez anos atrás. Mas o ensino está assim. Que fazemos?
Mas eu puxo pelos meus, aperto, aperto até ter aquilo que quero por isso os bons resultados dos meus alunos se devem à minha insanidade mental. No entanto, magoa-me quando alguém me diz que sou má, quando oiço os alunos dizerem que sou terrivelmente má.
Tocou-me o coração quando li que ajuda a sua esposa na realização de todas as actividades e burocracias lectivas que ela penosamente transporta para casa. É um fardo demasiado pesado ser professor e no seu caso marido de professora.
Há uma coisa que eu gostava de confessar, enquanto vivi no continente, sempre desejei trabalhar num colégio privado, mas sabe eu sou uma pobre de Cristo e como bens patrimoniais só tenho o meu orgulho e perseverança.
Venha a este espaço sempre que quiser. Desabafe o que quiser e não se torne amigo da ausência. Boa tarde.
Enviar um comentário