Começo de ano letivo complicado, com muitas contas ajustar, com muitos pontos para por nos iis. Tudo começou com o vigarista do senhorio, ladrão e aldrabão, mexeriqueiro e intriguista. Para além de todas estas prerrogativas, ainda, vinha abrir armários e gavetas depois de eu sair de casa. O ponto alto foi ter mudado a minha arca frigorífica de sítio. Ainda, andei indecisa se falava ou não, depois de andar para trás e para a frente, decidi falar com o bicho. A minha decisão foi tão impulsiva, tão feroz e determinada que no último lanço de escadas caí no meio da rua. Ergui-me de sobressalto, olhei para os lados e não estava ninguém, ajustei e limpei a roupa e, já mais calma não há nada como uma queda para acalmar os ânimos, entrei no estabelecimento para pagar a renda e falar-lhe da arca frigorífica. A calma foi de pouca dura, o homenzinho foi mal-educado, por isso conheceu o meu outro lado. Raio de gente pensam sempre que não arrepio cabelo e eu até tenho bastante para arrepiar.
Fiquei leve, no dia. Nos seguintes, a coluna lombar feixe de nervos limitava-me os movimentos. Eu disse quase tudo o que queria, ele estava pedi-las. Mas não foi o suficiente, só ficava satisfeita se tivesse força para lhe dar uns valentes murros, pontapés à falsa fé e, ainda, a energia para mandá-lo dois meses para o hospital, sem dentes.
De cara feia já não tenho medo, pago mais do que suficiente para ter privacidade, sossego e silêncio.
E, ainda, não lhe disse todas as vigarices que ele fez o ano passado, no estado de nervos que estava só me lembrei de metade. Ah, eu precisava tanto de um guarda-costas bruto, todo músculos, de cara feia, cheia de piercings, que funcionasse à minha voz de comando. Bem, não vale a pena sujar as mãos em quem não merece. Tive o mesmo efeito sem usar a força física e sem ser mal-educada. Pronto, era só um dentinho partido, afinal eu não sou santa e era o suficiente para sentir que ele tinha engolido a má-educação.
Já anda bem educado: srª professora isto, senhora professora aquilo, retribuo na mesma moeda, falo-lhe de forma educada, calma e com um certo laivo de doçura. Agora, ele já sabe o que a casa passou a gastar. Para a próxima, se houver próxima, já não vou ser bem educada.
3 comentários:
se não te conhecesse ainda acreditava que batesses no senhorio, bem merecia, mas tu és uma pessoa demasiado pacífica para tanta agressão. Estás a ficar adulta e já não deixas que façam tudo o que lhes dá na real gana.
Bj
Se eu fosse um homem, o senhorio nem dizia metade do que disse. Estás enganada dava-lhe mesmo uns valentes murros. Sabes, estou sempre a ouvir a voz dele na minha cabeça a dizer: "a lenha está arder", como se estivesse ameaçar-me. De facto, tenho muita pena de ter nascido mulher. A força da mão evita muitas chatices e ainda deixa marcas para toda a vida.
Também acredito na lei do retorno, os murros que não lhe dei, tenho a certeza que receberá dos seus próprios filhos.
Bj
Realmente, esse senhorio estava mesmo a precisar que o pusesses no seu lugar.
Também acredito na lei do retorno e mais...
"Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantamos."
Por isso, matêm-te firme e cabeça erguida.
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