As más notícias batem-nos à porta quando menos se espera. Bem me parecia que a minha família estava a esconder-me alguma coisa: respostas evasivas, muito barulho, uns sons estranhos que eram atribuídos à televisão e, ainda, a facilidade em despachar-me. Já ressentida disse-lhes: estão a despachar-me, pronto já não têm tempo para mim! Ai fui elucidada do estado de saúde do meu pai. Depois de saber a notícia fiquei sem chão. A quem recorrer? Era o que ressoava na minha cabeça. É triste estar só. Que fazer para organizar as ideias? Como lidar com o meu próprio desassossego? O blogue foi o escolhido, pois visita e lê quem quer. A dor não passou, as lágrimas não cessaram, mas em qualquer parte do mundo deve haver um eu parecido comigo. Ninguém está preparado para este tipo de dor, para a resignação, para a espera, para a impotência física e psicológica.
E dormir? Distingui cada batida do meu coração e se quisesse tinha passado a noite a contá-las, sentia o corpo dormente, a cabeça cheia de zunidos. E foi neste estado de espírito que fui à receção dos alunos. Não me esqueci do sofrimento do meu pai, nem da minha dor, mas o calor transmitido pelo olhar dos alunos foi o suficiente para que sorrisse.
Sempre admirei as colegas que fazem um pequeno corte num dedo e que contam aquele feito como se tivessem ficado sem o pobre dedo. Tenho muita dificuldade em contar aos outros o que se passa comigo. Acho que não vão ser recetivos e evito contar. Nunca conseguiria expor verbalmente a dor que sentia, pois penso que não encontraria as palavras certas para verbalizá-la. E, também, acredito que o ser humano foge da dor e aproxima-se do prazer, assim sendo ninguém gosta de quem tem problemas, deixam a pessoa só.
No entanto, desta vez não escapei, é o segundo ano que por aqui ando, já se habituaram à minha expressão diária. E depois de me abordarem várias vezes, uma teve a coragem de dizer: afinal o que tens? Contei e ouvi a palavra mágica: ele vai melhorar. Sim, se Deus quiser o meu pai vai melhorar.
Mais uma música que o meu pai gosta, pois mesmo doentinho ouvia sempre o seu rádio. Que as emoções que ele sentia ao ouvi-la se repitam.
3 comentários:
Minha querida!
Cruzes Avé Maria! Ninguém pode ficar indiferente ao que escreveste e a esta canção de Fernando Farinha! Estou emocionada, estou arrepiada!
Sim, minha amiga, há que ter esperança e, como diz a colega e tu - se Deus quiser, ele vai melhorar.
Boa noite e um beijinho de força e de carinho,
Fátima
Deus é grande.
Este fado foi um grande êxito, creio que nos anos 60 do século passado. Quase toda a gente gostava dele.
Graça, não faço ideia da gravidade do estado de saúde do teu pai. Mas espero que melhore rapidamente.
Um abraço solidário.
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