domingo, 30 de outubro de 2011

paciência



Tenho o mau hábito de sobressaltar as ações negativas e de guardar dentro de mim as positivas. Se conheço, muitas vezes, a injustiça também sinto muitas vezes a alegria plena, aquela que chega mais depressa ao coração, que me faz sorrir sem dar pelos lábios abrirem. Para a aturar a indiferença dos colegas, à qual pago com a mesma moeda, recebo a força da dedicação dos alunos. Eles fazem sobressair o que tenho de melhor em mim.
Dia 28 de Outubro, dia de eleições, eu, presidente da mesa, decidi pôr em prática a minha altivez, já que não posso vencer os colegas mato-os aos poucos: escolhi usar um fato azul, camiseiro branco da Ana Sousa; lenço de seda italiana e sapatos Claudina. Entrei na escola acompanhada de toda a minha soberba, mas depressa caiu por terra, pois fiquei rodeada de alunos e com eles a minha arrogância cede lugar à humildade. Estávamos animadamente a conversar, quando uma aluna da minha direção de turma estendeu-me uma pulseira de borracha rosa e disse: - professora, esta pulseira é para si. É cor-de-rosa e diz paciência. Ficámos todos a rir, no meio do corredor, todos sabíamos que a professora abusa da palavra paciência. Eles já me conhecem melhor do que ninguém. Para além disso, o cor-de-rosa é a minha cor preferida.
Quando realizaram a ficha de avaliação de História e Geografia de Portugal, disseram-me: - “professora, fiz o meu melhor!”, Ou então : - “professora, tenho medo do dia do teste porque se tirar negativa a professora vai ficar triste comigo.”
Eu acredito que todos têm capacidade para conseguir bons resultados basta vencer a preguiça e dedicarem-se ao trabalho.
A minha direção de turma, a mais fraquinha da escola, obteve bons e muito bons resultados na disciplina de HGP. Até o aluno mais fraquinho teve bom na ficha.
Ninguém consegue imaginar como isso me faz feliz, são várias as histórias e os gestos que fazem para me agradar. Eu estou aqui, no meio do nada, por causa da profissão, no fundo, por eles. Desejo muito, mesmo muito voltar a dar aulas no continente, mas esta ânsia de partir traz em si uma ponta de dor a de nunca mais voltar a ver os meus alunos.

2 comentários:

Anónimo disse...

Olá, amiga!

Adorei ler "paciência" com toda a sua "altivez", mas acima de tudo com muita humildade e sentido de humor.

Gostei mesmo!!!!

Uma boa tarde de Domingo, beijinho, fica bem!

Inté...

Fátima

Krïxtïna disse...

Adorei... He, he... A sério, és fantástica :-)

Que os teus alunos, seja no Topo seja no continente, sejam sempre merecedores da professora fántástica e dedicada que és.

Beijinhos e força para mais uma semana de trabalho.