Vim para este cantinho do mundo para aprender a ser assertiva e tenho aprendido à força. A necessidade obriga. Ontem, pelas 22 horas e 30 minutos, a minha nova vizinha juntou um grupo para cantar, em altos berros, acompanhados de viola e por uma série de batucos com os pés e as mãos. Que fazer? bater na parede, avisá-los ou telefonar ao senhorio. Só Deus sabe que não me apetecia nada, mesmo nada, agir. Mas se nada fizesse, o barulho e os batucos repetir-se-iam, no próximo fim de semana e nos seguintes, pois quem cala consente. De fato não há respeito.O ano passado vivi de forma passiva o excesso de barulho dos meus antigos vizinhos, por isso, este ano já se estavam a formar o resto do antigo grupo barulhento.
Telefonei ao senhorio às 24 horas e trinta minutos, e dez minutos depois, o grupo dispersou-se. Se se voltar a repetir chamo a PSP. Doa a quem doer, mesmo que por isso sofra represálias. Entre defender os meus direitos e os dos meus alunos e assistir à indiferença dos colegas, prefiro a indiferença de quem me é indiferente. Vivo muito bem sem ninguém, sem me cumprimentarem , com os olhares de soslaio, com as provocações...
Não sou assim tão forte. Tenho dois colegas de confiança que conhecem o meu trabalho e o melhor de tudo, e por isso sou desprezada pelos colegas, o reconhecimento dos alunos, o seu apoio e admiração, e para mim basta. O resto passa-me ao lado. Quando entro nos portões da escola vejo-me forçada a abandonar tudo o que me aborrece e entristece, ponho um sorriso no rosto porque sei que dos vários cantos chegam as chamadas dos alunos a pedir-me um sorriso, um aceno, um abraço, uma palavra amiga, um olá... até os mais pequenos que não são meus alunos já sabem o meu nome: " Bom dia , professora Graça Silva! " . E todas as vezes que ouço os alunos verbalizarem "a senhora é a nossa melhor professora", sei que o professor que escutou a mais bela frase do mundo para um professor, passou a olhar-me com outros olhos, os do desdém.
Não sou assim tão forte. Tenho dois colegas de confiança que conhecem o meu trabalho e o melhor de tudo, e por isso sou desprezada pelos colegas, o reconhecimento dos alunos, o seu apoio e admiração, e para mim basta. O resto passa-me ao lado. Quando entro nos portões da escola vejo-me forçada a abandonar tudo o que me aborrece e entristece, ponho um sorriso no rosto porque sei que dos vários cantos chegam as chamadas dos alunos a pedir-me um sorriso, um aceno, um abraço, uma palavra amiga, um olá... até os mais pequenos que não são meus alunos já sabem o meu nome: " Bom dia , professora Graça Silva! " . E todas as vezes que ouço os alunos verbalizarem "a senhora é a nossa melhor professora", sei que o professor que escutou a mais bela frase do mundo para um professor, passou a olhar-me com outros olhos, os do desdém.
E , ainda, tenho o carro, a música e os livros. O carro leva-me para mais longe, a música faz-me chorar a minha triste sorte e os livros fazem-me esquecer.
Os barulhentos são professores, pelo amor de Deus, a compostura não é só nas aulas também passa pela forma como se comportam em sociedade. São estes os educadores, os que vão exigir aos alunos que cumprem as regras da boa convivência social. Para além disso, são desinformados os jornais relatam várias situações de vizinhos barulhentos condenados pelo tribunal a pagar avultadas indemnizações. Como posso relacionar-me socialmente com colegas assim? Não posso, nada têm haver comigo. Para eles não sou ninguém. Mas quando sair daqui hei de voltar a ser alguém.
1 comentário:
É assim mesmo Graça. Eu faria o mesmo. Já não há respeito pelo sossego dos outros.
E são eles os educadores das nossas crianças. E exigem às crianças silêncio, quando eles mesmos são os primeiros a não darem o exemplo. Fico profundamente irritada com estas coisas. Principalmente em reuniões de professores. Quase que expludo com tanta falta de consideração e de respeito.
E podes ter a certeza de uma coisa. Para eles és mais do que alguém. Repara que, neste mundo só se fala e só se comenta a vida das pessoas importantes, ninguém fala das pessoas que passam despercebidas. Por isso, cabecinha erguida e sorriso no rosto, que o teu é fantástico. Tenho saudades de ouvir as tuas boas gargalhadas :-)
Beijinho e tem um domingo cheio de paz.
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