terça-feira, 15 de julho de 2008

Mulher Azul

Em Setembro,
Aferrolhei o passado,
Fui vieira sem água,
Inimiga da montanha negra.
Da auto compaixão,
Renasceu o eu…
As saudades arderam num braseiro morno,
O livro? Levou-o o camião da Câmara Municipal.
A minha boca!? Ficou calada…
Em Novembro…
Outra existência,
Tempo de finados!
Rompi, em Janeiro, protegida de lágrimas,
Com sede de espuma.
Até Junho…
Chapinhei,
Gritei,
Saboreei o cloro.
A dormir fui faquir,
O sofá escorraçava as visitas,
Era o 33B,
Casa fantasma por fora,
Caixinha de música, silenciosa, por dentro.
Consenti a chiadeira dos melros,
Na palmeira infernal.
Quando ergui o corpo,
Meditei, no banco do jardim virado, para a rua…
Calcetei a Avenida Marginal.
Alaguei-me em Porto Pim!
Sorvi a luz da mulher azul,
Falei o meu nome.

2 comentários:

Anónimo disse...

Galileu escreveu um dia que existem dois tipos de mentes poéticas: uma apta a inventar fábulas e outra disposta a crer nelas.
Este poema transforma a vida numa fábula. Embeleza-a, liberta-a, faz-nos acordar e sentir que a vida é mesmo bela, nós é que insistimos em andar distraídos.
Beijinho!

Anónimo disse...

Olá, linda!

Parabéns pelos teus dois lindissímos poemas.
Bom sucesso. Bjs